AUTO-AJUDA * Maria Nilceia


12/05/2009


A PARCERIA – Belvedere Bruno

 

         De todos os lados, as opiniões convergiam: - "É o casal perfeito. Cúmplice e  amoroso!", diziam.  Por décadas, mantiveram-se em aparente  estado de felicidade e realização.

         Ela imaginava-se de cabelos brancos e bengala, ao lado daquele homem maravilhoso. Nâo tinha dúvida de que  a relação seria a mesma,  na alegria e na dor, até que a morte, a ceifadora, desfizesse  aquela parceria . Temia tal  momento e rogava aos céus para que ele fosse o primeiro a ser  escolhido, pois tinha consciência  da falta de estrutura emocional dele para absorver-lhe a partida. Ela, ao contrário, estaria preparada, devido aos anos de psicoterapia, sua religiosidade, seus amigos. Ele sempre  fora  um cético. Tinha pouquíssimos afetos, abominava  religião e  dizia não ser louco para  entregar sua cabeça  a psicoterapeutas. Ali residia o mérito daquela relação. Eram diferentes, mas se adaptaram para que vivessem pacificamente.

         Eis que um dia, em plena avenida, ela tem um infarto   agudo,  e morre, sem ao menos ter tempo de ser socorrida. Ele manteve-se calmo e assim ficou até que o corpo fosse sepultado.

         O padre, os amigos e  vizinhos comentaram a força dele no momento, mas, depois de um mês, como ele continuasse aparentemente imune à dor da partida, pensaram na possibilidade de  um "estado de choque", e chamaram um profissional para vê-lo, conversar com ele  e saber o que  realmente sentia.

         -Livre das amarras! Por vinte e cinco  anos, convivi com tudo o que não gostava: terços, bíblias,  terapeutas, livros de Freud, Jung, teorias  aos montes, que me enchiam a paciência,  sempre  tentando explicar o inexplicável.  Tudo o que eu desejava  era aproveitar a vida, longe dos amigos medíocres que ela trazia  aqui pra casa. O que posso sentir agora, a não ser uma sensação de leveza e  felicidade?

         E  tirou a cor  azul da fachada  da casa , colocando  um tom terra; pintou  de vermelho o quarto  que fora  do casal,  para  que  a cor  quente reacendesse  as paixões. Aquele tom gelo,  segundo ele,  sempre fora  um banho de água fria na vida sexual deles.

         Da antiga decoração da casa, nada restara. Não tinha afinidade com nenhum dos objetos, mobiliário, biblioteca. Sobre  a  nova mesinha de cabeceira, o Kama-Sutra.

         Todas as manhãs, cantarolando, regava seu canteiro, antes ocupado por  plantinhas de temperos  que ela utilizava  nas refeições  do dia-a-dia. Ali,   agora,  havia  as mais lindas flores, com diversos  matizes,  parecendo acompanhar o estado de alma daquele homem que, a partir de sua liberdade,  se tornara  cada dia  mais  feliz...

 

http://www.belvederebruno.prosaeverso.net

Belvedere Bruno [Cônsul - Niterói - Z-Sul-RJ] Poetas del Mundo - Brasil

 

Imagem: CD Gotas de Cristal   cdcrystal@gmail.com

Escrito por Maria Nilceia às 09h08
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30/03/2009


JOYCE E ISAC - Maria Nilceia

 

Joyce casou com 17 anos e ao completar 18 já tinha um filho, o qual recebeu o nome de Isac.

Isac, logo cedo revelou tendências negativas: gênio forte, briguento, fazendo sempre prevalecer sua força.

Com o passar dos anos, deu trabalho para os professores em relação aos estudos. Na adolescência, ligou-se ao consumo de drogas; acabou com os pertences domésticos de seus pais. Enquanto os mesmos trabalhavam, Isac se apossava dos objetos para pagar as drogas que consumia.

 

Certa noite, Joyce, durante o sono, teve um sonho esclarecedor. Sonhou que estava diante de Deus.

O Bom Pai lhe disse:

-Desabafe sua dor, filha.

Maravilhada, ela perguntou:

-Senhor, porque me enviaste uma pedra bruta como filho?

A resposta que ouviu foi a seguinte:

-Para que, com paciência e amor, pode as arestas dessa pedra... no interior dela existe um brilho; mas este só aparecerá se a pedra ficar liberta das inferioridades do caráter.

Recebendo um abraço amoroso que jamais esqueceu, Joyce acordou.

 

Somente então ela percebeu que quase nada havia feito para modelar o caráter de seu filho.

Devido à canseira diária, por tanto trabalhar, deixara-o praticamente abandonado ao acaso.

Resolveu que faria tudo de agora em diante, para educar bem Isac. Infelizmente, não houve tempo para isso. Isac, numa briga, foi morto.

Joyce sentiu-se vazia e triste. Muitos dias ela chorou por ter perdido o filho. Para sua surpresa, novamente ela engravidou e voltou a sonhar com Deus. Desta vez, ela nada perguntou, apenas escutou a doce voz do Pai:

-Joyce, estou lhe devolvendo Isac... cuide bem dele... faça o brilho aparecer.

         Joyce acordou enlevada, feliz, sorrindo... e pensando: farei tudo o que estiver ao meu alcance para educar corretamente meu querido Isac.

 

         Imagem: recebida em mensagem, sem restrição de uso.

 

Escrito por Maria Nilceia às 09h50
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